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SOMOS ÁRVORE QUE DÁ BONS FRUTOS

José Antônio Netto
Anestesiologista e tesoureiro da Coopanest

Com base na lei 5764/71, há quase 30 anos, como uma evolução do Serviço de Anestesiologia de Pernambuco (SAP), foi criada a Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas de Pernambuco (COOPANEST-PE), que na ocasião contava com pouco mais de trinta profissionais. O objetivo da mudança era a melhor adequação fiscal e do serviço prestado às leis vigentes na época. Graças às administrações empreendedoras e ao espírito de grupo de seus fundadores, a cooperativa tornou-se símbolo de eficácia e modelo de organização entre os médicos pernambucanos, servindo de exemplo para formação de entidades de outras especialidades e de cooperativas de anestesia em outros estados. Ao longo dos anos, houve significativo aumento do número de cooperados e ampliação do leque de serviços prestados. No início, o atendimento aos hospitais do INPS era o principal objetivo de suas atividades. Com as mudanças no modelo de assistência à saúde e o crescimento das empresas do sistema de saúde suplementar, o perfil de atendimento da cooperativa também mudou e estas empresas tornaram-se então o foco de seu atendimento.

As intempéries econômicas, o achatamento do poder aquisitivo, a evolução científica e o crescimento da população mudaram mais uma vez a estrutura da assistência à saúde no estado e no país. Passamos então a ver uma grande diminuição nos usuários do sistema de saúde complementar que voltaram, por inúmeros fatores, a recorrer à rede pública. Esta mesma rede pública quer por contenção de gastos ou por falta de recursos para investimento, encontra-se despreparada em estrutura física e de pessoal para suprir o aumento da demanda gerada por esse retorno da população.

Como alternativa a essa situação, os hospitais públicos, que antes funcionavam exclusivamente com pessoal próprio, iniciaram a formalização de contratos com a Coopanest-PE, para suprirem seus quadros de anestesiologistas bastante defasados, em que pese a realização de diversos concursos públicos. O que começou como um serviço complementar foi crescendo e, após cerca de dez anos, tornou a cooperativa responsável por uma parcela significativa das anestesias realizadas na rede pública como já acontecia na privada. O aumento de seu quadro social e de seus serviços, contrastando com o progressivo desinteresse dos médicos pelo serviço público, motivado entres outras causas pelas baixas remunerações e condições de trabalho precárias, despertou em algumas esferas do poder público a idéia de corporativismo, cartelização e de mecanismos infratores da lei da oferta e procura. Quando na realidade existe na Coopanest-PE todo incentivo a seus cooperados para que busquem a segurança do emprego público como aliado à atividade liberal, sujeita a oscilações.

Ao contrário de criadora ou co-responsável pela situação delicada na qual se encontra a saúde pública, basta perceber que não há defasagem apenas no quadro de anestesiologistas, a cooperativa é sim uma válvula de escape, uma aliada dos gestores públicos na tentativa de manter a qualidade dos serviços de saúde, que vem, por distorcido ponto de vista do Ministério Público, sendo acuada e tendo seu nome e de seus cooperados citados de forma distorcida na mídia. O MP entende ser dela a responsabilidade pelo atendimento total das anestesias da rede pública na Região Metropolitana do Recife, esquecendo que cabe à Coopanest-PE uma atuação de caráter complementar, como bem definido está no contrato celebrado com a Secretaria Estadual de Saúde.

A cooperativa é uma entidade sem fins lucrativos que luta para proteger os anestesiologistas da sede tributária do governo e da insensibilidade dos gestores da rede suplementar. A unidade e organização da Coopanest-PE incomodam várias esferas e por isso seus cooperados são tidos como mercenários, usurários e comerciantes da medicina, quando só tentam manter a dignidade do exercício de sua especialidade não se vendendo por tostões e primando pela qualidade e lealdade na relação médico-paciente. Como lembrou uma preceptora, anestesista de longa data: “Não se jogam pedras em árvores que não dão frutos”. Por isto talvez tenhamos sido tão apedrejados nos últimos tempos.

 


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